chove aí
chove aqui
essa água fina
abençoando os
desejos
insistente durante
o dia
querendo lavar
à força o mal
do mundo
essa chuva nos
encontra
se debruça em
cima de nós
cai em nossas
costas para
lhas aliviar
levemente
pesando o peso
de ser água
nosso encontro
possível carregado
pelas nuvens
nosso beijo suave
feito de
gotas miúdas
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
2459. Para que em 10 não pare
que o novo
venha a todos nós
como aquele nó que faltava
para alinhavar a costura
que se escreva mais
e se pense um tanto menos
e se sinta esse tanto que é mais
que se saiba e sinta pensar sentir
e sentir pensar
que se música plena
boa onda vibrada pelo ar
até tremer a alma
que se leia o que for bom
para saciar a fome
e que se coma o que for necessário
para que ninguém sofra
que se seja
que assim seja
que se beije
e se beija
que se ame e entre e adentre
e se deixe adentrar
e trema como música vibrada
que se goze
que se sue o que não alienar
que se estude o que ainda valorizar
que se goste e se gaste
se desgaste pelo tempo
deixe as erosões e intempéries gastar
deixe o rosto amofinar pela idade
que se envelheça
que se corpo
que se outro
que se todos
e todas que puder enfiar em si
que percorra o mundo e as vidas
e se deixe percorrer
que se corra para onde
e se pare pelo quando
que se necessite
que se precise
que queira e consiga
e convide quem quiser também
e compartilhe e não se ilhe
além do medido
que se desmeda
e se desemenda
e perca o medo de se cortar
e se colcha de retalhos quando precisar
que se seja
que assim seja
que não pare
venha a todos nós
como aquele nó que faltava
para alinhavar a costura
que se escreva mais
e se pense um tanto menos
e se sinta esse tanto que é mais
que se saiba e sinta pensar sentir
e sentir pensar
que se música plena
boa onda vibrada pelo ar
até tremer a alma
que se leia o que for bom
para saciar a fome
e que se coma o que for necessário
para que ninguém sofra
que se seja
que assim seja
que se beije
e se beija
que se ame e entre e adentre
e se deixe adentrar
e trema como música vibrada
que se goze
que se sue o que não alienar
que se estude o que ainda valorizar
que se goste e se gaste
se desgaste pelo tempo
deixe as erosões e intempéries gastar
deixe o rosto amofinar pela idade
que se envelheça
que se corpo
que se outro
que se todos
e todas que puder enfiar em si
que percorra o mundo e as vidas
e se deixe percorrer
que se corra para onde
e se pare pelo quando
que se necessite
que se precise
que queira e consiga
e convide quem quiser também
e compartilhe e não se ilhe
além do medido
que se desmeda
e se desemenda
e perca o medo de se cortar
e se colcha de retalhos quando precisar
que se seja
que assim seja
que não pare
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
2458. a possibilidade das palavras e do desejo
ok
para você,
ou por,
eu espero.
paro o movimento.
palavreio o
intento
e mesmo
me apresento:
senhor de impulsos,
de pulsões
ainda um tanto primitivas,
primo pela troca:
dou o impossível
e desejo
isso que toca
o ar junto à
respiração:
vida
posta mesmo
no que pode.
para você,
ou por,
eu espero.
paro o movimento.
palavreio o
intento
e mesmo
me apresento:
senhor de impulsos,
de pulsões
ainda um tanto primitivas,
primo pela troca:
dou o impossível
e desejo
isso que toca
o ar junto à
respiração:
vida
posta mesmo
no que pode.
2457.
A justa medida do tempo
é uma veste de espera
vestido vermelho de lamê
bem ajustado
guardado no fundo do armário
ansiado aguardo para o
usufruto
tira-se de quando em quando
para uma postura ao sol
e retirar mofos e manchas
cuidado com carinho
embalado em plástico
admirado no momento em
que se vai procurar uma
saia diária
e suspirado todos os dias
sabendo que em algum
deles existirá a ocasião
em que o caiba.
é uma veste de espera
vestido vermelho de lamê
bem ajustado
guardado no fundo do armário
ansiado aguardo para o
usufruto
tira-se de quando em quando
para uma postura ao sol
e retirar mofos e manchas
cuidado com carinho
embalado em plástico
admirado no momento em
que se vai procurar uma
saia diária
e suspirado todos os dias
sabendo que em algum
deles existirá a ocasião
em que o caiba.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
2456. Mapa para uma mina
saia de seu casulo
adentre um sol sertão
trafegue entre egos
siga até um olhar perdido
conte cinco passos
rumo à impossibilidade
se desoriente com o pôr-do-sol
ande rumo ao nascimento da lua
fuja léguas pelo ar
corra por linhas cálidas
quando uma lágrima brotar
é ali mesmo
cave fundo até encontrar
esse baú enterrado
abra-o somente quando
enfim o sorriso couber fácil
na sua cara
adentre um sol sertão
trafegue entre egos
siga até um olhar perdido
conte cinco passos
rumo à impossibilidade
se desoriente com o pôr-do-sol
ande rumo ao nascimento da lua
fuja léguas pelo ar
corra por linhas cálidas
quando uma lágrima brotar
é ali mesmo
cave fundo até encontrar
esse baú enterrado
abra-o somente quando
enfim o sorriso couber fácil
na sua cara
2455. saber cuidar
não pode ser mais da obsessão
tem que ser do contato
do tato
transpor a onda do imediato
do amor instantâneo
maturar as coisas
esperar
afagar com palavras elétricas
lembrar e querer
encontrar num sonho
ansiar a queda da distância
lançar-se de todo modo
esquecer-se um tanto
esperar
ela lá
eu cá
um dia onde
tem que ser do contato
do tato
transpor a onda do imediato
do amor instantâneo
maturar as coisas
esperar
afagar com palavras elétricas
lembrar e querer
encontrar num sonho
ansiar a queda da distância
lançar-se de todo modo
esquecer-se um tanto
esperar
ela lá
eu cá
um dia onde
domingo, 27 de dezembro de 2009
2454.
eu te tiraria do marasmo
hastearia bandeiras
recuperaria a utopia
e a embalaria em frêmitos
lhe mordiscando as orelhas
mas acho que você gosta
mesmo é de chicotes
e vela derretida
ou cueca de couro
sei lá
essa agressividade desmedida
desmede até a vontade
hastearia bandeiras
recuperaria a utopia
e a embalaria em frêmitos
lhe mordiscando as orelhas
mas acho que você gosta
mesmo é de chicotes
e vela derretida
ou cueca de couro
sei lá
essa agressividade desmedida
desmede até a vontade
2452. Paisagem de janela
O ouro preto
que brilhava
em todo o ar
pintava o centro
dentro do azul
daquele olhar.
que brilhava
em todo o ar
pintava o centro
dentro do azul
daquele olhar.
2451. Dezembros
dias loucos e insuficientes
para se aprender o faltante
e arremessar o vindouro
dias de chuvas e de sóis
desse calor tão frio das manhãs
de pavor e esperança
dias verdes e noites azuis
esperas infinitas e carinhos
ansiosos e distantes
seres perambulando pelo
aconchego da piedade
e margeando alguma frustração
vontade de virar as páginas
de começar novos livros
pulando até o último parágrafo
dezembros podem enlouquecer
mas sempre levam o mundo
a chorar pelo novo
para se aprender o faltante
e arremessar o vindouro
dias de chuvas e de sóis
desse calor tão frio das manhãs
de pavor e esperança
dias verdes e noites azuis
esperas infinitas e carinhos
ansiosos e distantes
seres perambulando pelo
aconchego da piedade
e margeando alguma frustração
vontade de virar as páginas
de começar novos livros
pulando até o último parágrafo
dezembros podem enlouquecer
mas sempre levam o mundo
a chorar pelo novo
2450. Entradas
veio mesmo
naquele veio
de água de
cima da serra
que descia
dizendo que
vinha
e veio com
a brisa da
noite com a
permissão
de ir e vir
com a pulsão
de vida
veio e disse
que ia
percorre as
veias e aqui
eu vejo
que vaza
por todos os
poros
naquele veio
de água de
cima da serra
que descia
dizendo que
vinha
e veio com
a brisa da
noite com a
permissão
de ir e vir
com a pulsão
de vida
veio e disse
que ia
percorre as
veias e aqui
eu vejo
que vaza
por todos os
poros
2449. perder palavras
as perco uma a uma
não tenho idéia de onde
foram dar as caras
no meio do caminho
podem ter ficado
no vale do encantamento
despedaçado
no desperdício da
água à face derramada
no tiro de uma arma
não-letal
no momento de puxar
o gatilho
foram ficando pela trilha
uma após a outra
algumas ficaram encontradas
no desencontro da partida
todas não me acompanham mais
não tenho idéia de onde
foram dar as caras
no meio do caminho
podem ter ficado
no vale do encantamento
despedaçado
no desperdício da
água à face derramada
no tiro de uma arma
não-letal
no momento de puxar
o gatilho
foram ficando pela trilha
uma após a outra
algumas ficaram encontradas
no desencontro da partida
todas não me acompanham mais
2448.
um dia ainda encontro
uma mulher que tenha tesão
com coisas sutis
até lá sigo esse romance
torpe com a minha
própria mão
uma mulher que tenha tesão
com coisas sutis
até lá sigo esse romance
torpe com a minha
própria mão
2447. Dormência
quase cretino
esse sono que
vem vindo
acaricia pálpebras
vai seduzindo
à cama
conduzindo
parece lânguido
só que é quase cretino
esse sono que
vem vindo
acaricia pálpebras
vai seduzindo
à cama
conduzindo
parece lânguido
só que é quase cretino
2446. Dolência
ai ai
um dia
a menos
outro
a mais
será que
náufrago
que estou
ainda
encontro
um cais
ou ficarei
boiando
nesse mar
demais?
um dia
a menos
outro
a mais
será que
náufrago
que estou
ainda
encontro
um cais
ou ficarei
boiando
nesse mar
demais?
2445. Prenúncio
o fim não virá em 2012...
o fim está desde
100.000 anos antes do presente
quando um vírus
mamífero resolveu
perambular pelo mundo
só a faísca de um fim
nessa fogueira eterna
que é a idade do céu
o fim está desde
100.000 anos antes do presente
quando um vírus
mamífero resolveu
perambular pelo mundo
só a faísca de um fim
nessa fogueira eterna
que é a idade do céu
2444. Do luso encontro tupinambá
A luz feita veio de velas vibrantes pelo vento
vindas de rincões distantes de além-mar
a sinuosidade do mar lumiava
o bege mareado do cânhamo
por esse sol de equador ardente
imenso uba reluzente chegante
de paragens ocidentes
seres em fedentina ditos deuses
e eles aqui no ritmo de uma cultura
que se sente natureza
no balanço de canoas e redes
e rezas e cantos e paricás
senhores dos reinados dos sonhos
antropofágicos mágicos da guerra
Encontro de morte e de genes
selando para o agora o ímpeto de mar
ao movimento de selva
mudando a posse o título e o nome
criando à força a herança de quem
hoje é brasil
vindas de rincões distantes de além-mar
a sinuosidade do mar lumiava
o bege mareado do cânhamo
por esse sol de equador ardente
imenso uba reluzente chegante
de paragens ocidentes
seres em fedentina ditos deuses
e eles aqui no ritmo de uma cultura
que se sente natureza
no balanço de canoas e redes
e rezas e cantos e paricás
senhores dos reinados dos sonhos
antropofágicos mágicos da guerra
Encontro de morte e de genes
selando para o agora o ímpeto de mar
ao movimento de selva
mudando a posse o título e o nome
criando à força a herança de quem
hoje é brasil
2443.
amor não é
é nada:
não-ser
amar é
– paradoxal –
a ação de
não ser
quando eu amo
não sou
no amar
não se é
armadilha
existencial
amor tenta
mas não é
é nada:
não-ser
amar é
– paradoxal –
a ação de
não ser
quando eu amo
não sou
no amar
não se é
armadilha
existencial
amor tenta
mas não é
2442. Como um cão
gosto tanto dos gatos
mas acabo sendo como
um cão
me apego fácil
me entrego inteiro
abano o rabo e olho com
cara de pidão
espero um carinho
todo o tempo
e ainda fico em guarda
de plantão
mas acabo sendo como
um cão
me apego fácil
me entrego inteiro
abano o rabo e olho com
cara de pidão
espero um carinho
todo o tempo
e ainda fico em guarda
de plantão
2440. é possível amar (?)
quase sempre é mais possível
só amar o impossível
o não tocável
a distância
com a distância
você não discute
só anseia
com o impossível
você não se aflige
só aceita
com o intocável
você não regateia
só ama
só amar o impossível
o não tocável
a distância
com a distância
você não discute
só anseia
com o impossível
você não se aflige
só aceita
com o intocável
você não regateia
só ama
2439. skate
saudade de uma ladeira
até de capotar numa ribanceira
ter quatro rodas abaixo dos pés
e uma prancha de madeira
descer corrimão de escadaria
falar um monte de besteira
sentir o vento na cara
grudar no baú na rabeira
passear por carros de esgueira...
até de capotar numa ribanceira
ter quatro rodas abaixo dos pés
e uma prancha de madeira
descer corrimão de escadaria
falar um monte de besteira
sentir o vento na cara
grudar no baú na rabeira
passear por carros de esgueira...
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
2438. Produjazzido
Num acidente
descobri o que o
jazz fazz em nóss
deixacid tudo
soulsibilante
coolericamente
fusionfreecado
viajamte
bebopipocado
nu swing
desmoothrado
descobri o que o
jazz fazz em nóss
deixacid tudo
soulsibilante
coolericamente
fusionfreecado
viajamte
bebopipocado
nu swing
desmoothrado
2437. Quentes equadores
nessa faixa do planeta
a gente faz por onde
e com a dança alcança
o pra lá de mais longe
a gente faz por onde
e com a dança alcança
o pra lá de mais longe
2436.
Eu amo as poetas
as Ruizes ruins
as Meireles melódicas
as Hilsts ríspidas
as Prados paragens
as Cs solitárias
as Medeiros maneiras
as Coralinas coradas
as Schmaltzes amantes
as Savarys selváticas
as Ferrazes azuis
as amo
asmaticamente
todas me tirando todo o ar.
as Ruizes ruins
as Meireles melódicas
as Hilsts ríspidas
as Prados paragens
as Cs solitárias
as Medeiros maneiras
as Coralinas coradas
as Schmaltzes amantes
as Savarys selváticas
as Ferrazes azuis
as amo
asmaticamente
todas me tirando todo o ar.
2435. Urgente
adentrando minha nova morada
portas abertas ao bom do mundo
entra-me como primeira mensagem
um afago tão quisto e preciso
diamante lapidado de grafite
bruta matéria a conduzir o riso do dia
portas abertas ao bom do mundo
entra-me como primeira mensagem
um afago tão quisto e preciso
diamante lapidado de grafite
bruta matéria a conduzir o riso do dia
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
2434. Noturno
o ardil da noite
é essa pretensa
indefinição das
formas
isca perfeita
para as presas
néscias
que avistam
o desejo
em qualquer
objeto adjeto
estratégia abjeta
dessa noite
que te caça sem fim
é essa pretensa
indefinição das
formas
isca perfeita
para as presas
néscias
que avistam
o desejo
em qualquer
objeto adjeto
estratégia abjeta
dessa noite
que te caça sem fim
2433. Noturno
no turno noturno
o trabalho é esse
de quem chora
séquito dos faltosos
e embebidos de
saudade
turba dos que
amam sem objeto
possível
horda que respira
o gosto afável
da auto-traição
o trabalho é esse
de quem chora
séquito dos faltosos
e embebidos de
saudade
turba dos que
amam sem objeto
possível
horda que respira
o gosto afável
da auto-traição
2432. Noturno
No fundo eu tento acabar com essa tristeza
acariciando os cacos da garrafa de pinga
quebrada dentro da bolsa
beijando voluptuosamente o ar que ainda resta
dentro da noite
sumindo dentro
subindo fora
liquefeito nos poros da noite
percolado nos vãos da terra firme
erosivo e turbrilhante morrendo a carne
feita água
sob o véu esperado da noite
acariciando os cacos da garrafa de pinga
quebrada dentro da bolsa
beijando voluptuosamente o ar que ainda resta
dentro da noite
sumindo dentro
subindo fora
liquefeito nos poros da noite
percolado nos vãos da terra firme
erosivo e turbrilhante morrendo a carne
feita água
sob o véu esperado da noite
2431. Noturno
deixa-me a tristeza
ofuscar-me dentro da noite
sem signo ou significado
líquido desaguado
pela brecha do esgoto
ofuscar-me dentro da noite
sem signo ou significado
líquido desaguado
pela brecha do esgoto
2430.
quero sim perder
o que me restou de cabeça
e viver qual mula sem
meio cavalo meio homem
seta em riste ao alvo
impossível
troteando léguas
impossíveis
sem cabeça mesmo
fogo nas ventas
para encontrá-la
dentro de si mesma
e convidá-la a passear
pelos rumos do impossível
mãos dadas numa noite
possível
compartilhar-te toda parte que se pode
desse meu mundo de alguém
sem cabeça
o que me restou de cabeça
e viver qual mula sem
meio cavalo meio homem
seta em riste ao alvo
impossível
troteando léguas
impossíveis
sem cabeça mesmo
fogo nas ventas
para encontrá-la
dentro de si mesma
e convidá-la a passear
pelos rumos do impossível
mãos dadas numa noite
possível
compartilhar-te toda parte que se pode
desse meu mundo de alguém
sem cabeça
2429.
que desgosto esse entulhado nos olhos
quase a desabar tudo por sobre a cara
a doer nos poros da noite
deixando o desejo para algum dia
que anseio faltoso faiscando os ânimos
desbotando toda cor do dia
pesando o universo às costas vagaroso
e essa distância que só lateja o desejo
quase a desabar tudo por sobre a cara
a doer nos poros da noite
deixando o desejo para algum dia
que anseio faltoso faiscando os ânimos
desbotando toda cor do dia
pesando o universo às costas vagaroso
e essa distância que só lateja o desejo
2428.
gostar dói
gasta o espírito
envelhece a alma
coisa como
que a maturidade
te ensinando a
doer mais um pouco
pra fazer da distância
um norte possível
e quente dentro
do peito
gasta o espírito
envelhece a alma
coisa como
que a maturidade
te ensinando a
doer mais um pouco
pra fazer da distância
um norte possível
e quente dentro
do peito
2427. Imprecisão
as imagens dizem esse tanto
que a superação da condição
fica sempre apregoada
a um futuro torpe
e a gente é só uma imagem
chuviscada numa tela convulsa
que a superação da condição
fica sempre apregoada
a um futuro torpe
e a gente é só uma imagem
chuviscada numa tela convulsa
2426.
cartas leves
de leitura lenta
emocionalmente atenta
parando o caos
para pairar pelo dia
brotando nele pétalas
e poesias
idéias, desejos
esse anseio
de leitura lenta
emocionalmente atenta
parando o caos
para pairar pelo dia
brotando nele pétalas
e poesias
idéias, desejos
esse anseio
2425. Para além dessa coisa toda de beleza
coisa louca
foi quando
para além
da imagem
ouvi essa
intransponível
paisagem
que saia
da sua boca
não de passagem
mas fincada
dentro de si
e não à margem
foi quando
para além
da imagem
ouvi essa
intransponível
paisagem
que saia
da sua boca
não de passagem
mas fincada
dentro de si
e não à margem
2424.
Rasgar rodovias
até encontrá-la
mais uma vez:
uma que fosse,
meia que desse,
só pra dissipar resquícios
e gravar melhor
o todo que se deve.
até encontrá-la
mais uma vez:
uma que fosse,
meia que desse,
só pra dissipar resquícios
e gravar melhor
o todo que se deve.
2423.
finito e imperfeito
impetuosamente
carente
o desejo move
as montanhas
da razão
abdica o momento
e lança flechas
rumo ao fim da tensão
impetuosamente
carente
o desejo move
as montanhas
da razão
abdica o momento
e lança flechas
rumo ao fim da tensão
2422.
na hora que rolar uma vontade
fica à vontade
pode falar
que aí eu meço o que
sobrou por aqui
e vejo se ainda rola alguma coisa
pra poder rolar
fica à vontade
pode falar
que aí eu meço o que
sobrou por aqui
e vejo se ainda rola alguma coisa
pra poder rolar
2420.
Por amor ou euforia
Queria saber fazer coisas
Que me fizessem querer
Fazer tudo de novo
Não fiz
Agora faço o que se pode
Na tentativa de não
Se perder mais o prumo
Do que se poderia
E grudar o que se pudesse grudar
Brechando onde desse
Fazendo o que se pudesse
E quisesse
E podia
Isso mesmo que pedia
Cálido
Ainda que calado
A feita
Queria saber fazer coisas
Que me fizessem querer
Fazer tudo de novo
Não fiz
Agora faço o que se pode
Na tentativa de não
Se perder mais o prumo
Do que se poderia
E grudar o que se pudesse grudar
Brechando onde desse
Fazendo o que se pudesse
E quisesse
E podia
Isso mesmo que pedia
Cálido
Ainda que calado
A feita
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
2415.
tem gente que não dá pra engolir
talvez seja um lance de santo que não se bate
de astro que não se casa
ou de acaso mesmo do mundo
mas fato é que tem gente
que não deveria muito existir
talvez só existir meio
existir pouco
no máximo um tanto
mas fato é que existem esses que
não são tragáveis
esses tão intragáveis
- palavra boa que ela proferiu em boa hora -
aí a gente toma uma cerveja
se lança de corpo e alma sob a mesa
e pensa:
quão preciso é esse ser de bosta
que acha que não ter dignidade própria
é o objetivo de qualquer vivente
sob a terra?
Nova Olinda/CE
talvez seja um lance de santo que não se bate
de astro que não se casa
ou de acaso mesmo do mundo
mas fato é que tem gente
que não deveria muito existir
talvez só existir meio
existir pouco
no máximo um tanto
mas fato é que existem esses que
não são tragáveis
esses tão intragáveis
- palavra boa que ela proferiu em boa hora -
aí a gente toma uma cerveja
se lança de corpo e alma sob a mesa
e pensa:
quão preciso é esse ser de bosta
que acha que não ter dignidade própria
é o objetivo de qualquer vivente
sob a terra?
Nova Olinda/CE
2414.
a gente escolhe
rostos e se apega
estupidamente:
ponte para uma
paz impercebida
auto-induzida
ditame de paz
Nova Olinda/CE
rostos e se apega
estupidamente:
ponte para uma
paz impercebida
auto-induzida
ditame de paz
Nova Olinda/CE
2413. Alviçeras
quando o arrebatamento
te arrebenta em pedaços
cinco ou seis mil cacos
você se sente mais apto
e sabe ser vida
qualquer ato falho
Nova Olinda/CE
te arrebenta em pedaços
cinco ou seis mil cacos
você se sente mais apto
e sabe ser vida
qualquer ato falho
Nova Olinda/CE
2412. Desmoronamento
quando se cai
a seca te seca
tanto ao ponto
em que você
vira só lágrimas
Nova Olinda/CE
a seca te seca
tanto ao ponto
em que você
vira só lágrimas
Nova Olinda/CE
2411. Levando a noção de beleza ao patamar do desassossego
Sua beleza dói
e é por isso
que eu discordo
do paradoxo
entre prazer
e dor.
Sua beleza
é agressiva
ela explode a
qualquer tentativa
de se olhar.
Sua beleza maltrata,
pisa de salto alto
na cara.
É uma não possibilidade
que existe.
E eu me pego
desacreditado,
pois que pode ser
real a mais profunda
utopia da boniteza.
E isso deixa
como louco qualquer
humano sonhador
e esperançoso.
Por que diabos
mesmo que você existe?
Nova Olinda/CE
e é por isso
que eu discordo
do paradoxo
entre prazer
e dor.
Sua beleza
é agressiva
ela explode a
qualquer tentativa
de se olhar.
Sua beleza maltrata,
pisa de salto alto
na cara.
É uma não possibilidade
que existe.
E eu me pego
desacreditado,
pois que pode ser
real a mais profunda
utopia da boniteza.
E isso deixa
como louco qualquer
humano sonhador
e esperançoso.
Por que diabos
mesmo que você existe?
Nova Olinda/CE
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